quarta-feira, 29 de abril de 2015

10 dicas de como elaborar bons itens de múltipla escolha

Instrumento sempre presente na avaliação dos alunos, os testes exigem boa formulação

Deborah Ouchana

Os testes de aproveitamento desempenham uma função importante em sala de aula, uma vez que são frequentemente usados para compor as notas dos alunos. Mas será que os professores estão planejando testes que realmente avaliam os alunos e os auxiliam a identificar dificuldades de aprendizagem?
Antes de elaborar o teste, o professor deve ter em mente o que será medido. Uma boa forma de organizar o que será avaliado é criar uma matriz de referência dos objetivos educacionais. Os descritores devem focar os resultados de aprendizagem – um erro muito comum é a formulação de objetivos que focalizam a atividade de ensino, as experiências de aprendizagem do processo de ensino, os assuntos a serem tratados, ou mais de um tipo de resultado de aprendizagem, por exemplo.
O passo seguinte, e fundamental para uma avaliação adequada dos alunos, é a criação dos itens de múltipla escolha. Esse tipo de questão apresenta várias vantagens porque são fáceis de marcar, práticos para exames de larga escala e adaptáveis a vários níveis de operações mentais.
Veja abaixo 10 dicas de como elaborar bons itens.

1) Planeje cada item para medir um único resultado de aprendizagem

O correto é escolher o descritor e, depois, o texto-base, e não tentar “encaixar” um item em um descritor, depois de pronto. Por isso é importante fazer uma vasta pesquisa de textos e temas em fontes diversas e não se restringir aos livros didáticos.

2) Procure minimizar o tempo de leitura do estudante

Evite textos-base com mais de 15 linhas.

3) Use linguagem direta e adequada à faixa etária do aluno

Evitar pegadinhas, pois elas podem pegar tanto os alunos que não sabem a resposta, como os que sabem.

4) Evite informações desnecessárias no texto-base

Mas lembre-se que ele deve conter todas as informações necessárias para a resolução do item.

5) Na construção do enunciado, apresente um único problema claramente formulado

Uma dica é formular o enunciado como pergunta a ser respondida ou como uma frase para ser completada.

6) Formule enunciados com proposições positivas e evite termos absolutos

-> Não se deve empregar termos como “exceto”, “não”, “nunca”, “errado”.
-> Não utilize termos como “somente”, “sempre”, “exclusivamente”.


7) Não formule alternativas com opções absurdas

-> Os distratores devem ser plausíveis, ou seja, uma alternativa que, para o aluno que não dominou a habilidade, parece a correta.
-> Uma ideia é incorporar erros comuns dos estudantes como distratores.


8) Construa alternativas com tamanho similar

Uma opção muito longa destacada na resposta pode indicar ao aluno que aquela é a resposta correta.

9) Evite itens baseados em opiniões

Esse tipo de item geralmente é ambíguo e pode gerar confusões.

10) Use itens de múltipla escolha para mensurar o raciocínio, e não somente para a memorização

O grande desafio é construir itens para operações cognitivas de alto nível. Evitar conhecimentos ultra específicos ajuda a fugir da memorização.


Fonte: Curso “Avaliação e análise de itens pela Teoria Clássica dos Testes (TCT)” – Érica Maria Toledo Catalani


 

Formação de leitores em outras etapas da Educação Básica:

Débora Rubin e Claudia Jordão

Educação Infantil

Em um contexto de pouca valorização da leitura, como a escola pode contribuir para a formação de leitores no Brasil? Como superar seus desafios e formar leitores autônomos que gostem de ler? Ensinar algo tão grandioso é uma tarefa desafiadora, mas, talvez por isso mesmo, uma das mais fantásticas que existem.

O estímulo à leitura pode começar desde cedo, ainda na educação infantil. Veja abaixo o cenário da formação de leitores na primeira infância, seus desafios e exemplos de práticas.

Cenário

A Academia Americana de Pediatria recomenda aos médicos que orientem os pais a lerem para os seus filhos. Desde o nascimento, a superestimulação tem se tornado uma constante em casa e invadido o espaço escolar. Livros no banho e e-books são elementos cuja proposta é desencadear o gosto pela leitura logo cedo. O equilíbrio entre inseri-los na cultura letrada e "forçar" funções para as quais ainda não estão preparados, defendem os especialistas, depende de bom senso.
 
Desafio

Como mediadores, pais e educadores têm a missão de apresentar os livros, as histórias e o mundo da imaginação a seus filhos e alunos. A falta de materiais de trabalho nas escolas é um problema a ser enfrentado. Pesquisa da pedagoga Cyntia Girotto revela que os livros do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) não contemplam crianças dos 0 até os 3 anos. O estudo "Literatura e Primeira Infância: dois municípios em cena e o PNBE na formação de crianças leitoras" foi realizado de 2011 a 2014 em Presidente Prudente e Marília, interior paulista. "Negar o acesso desse material aos pequenos é negar a eles a possibilidade de forjarem para si, desde a tenra infância, uma identidade leitora", diz Cyntia, professora na Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp-Marília.
 
Exemplos de práticas

O primeiro passo é o professor ter um critério para a escolha dos títulos. Afinal, nessa fase pré-alfabetização eles têm especificidades e mudam conforme a idade. "O livro do bebê é especial: tem de ser cartonado, ou emborrachado, e o texto imagético deve se agregar ao texto escrito, o que aguça as percepções, atenção, linguagem oral e memória", explica Cyntia Girotto. A partir dos 3 anos, obras que se utilizam do lúdico e da fantasia despertam a imaginação. A leitura em voz alta e a contação de histórias são práticas que devem estar presentes na escola. Para as crianças maiores, vale investir em rodas de leitura e na elaboração de ilustrações ou dramatizações a partir de um texto. "Quando partilhada, a leitura se torna saborosa, se transforma em uma experiência formadora", defende Gilda Carvalho, mestre em Literatura Brasileira e uma das autoras do Manual de reflexões sobre boas práticas de leitura (Editora Unesp).

Ensino Fundamental

Após a alfabetização, desafio do professor é inserir as crianças na cultura letrada

Rodas de leitura devem fazer parte da rotina em sala de aula

Débora Rubin e Claudia Jordão

Em um contexto de pouca valorização da leitura, como a escola pode contribuir para a formação de leitores no Brasil? Como superar seus desafios e formar leitores autônomos que gostem de ler? Ensinar algo tão grandioso é uma tarefa desafiadora, mas, talvez por isso mesmo, uma das mais fantásticas que existem.
Após a alfabetização, é importante que as crianças sejam estimuladas a participar ativamente da cultura letrada. Veja abaixo o cenário da formação de leitores no ensino fundamental 1, seus desafios e exemplos de práticas.
 
Cenário

Um dos problemas dessa etapa é avançar para além da alfabetização. "Quando se acompanha uma geração de alunos percebe-se que, em muitos casos, alcançadas as metas de alfabetização plena, os esforços para oferecer atividades de leitura diminuem", lamenta o relações-públicas Volnei Canônica, coordenador do programa Prazer em Ler do Instituto C&A. A educação no Brasil ainda tenta avançar no que diz respeito ao aprendizado de leitura nos primeiros anos do fundamental. A pesquisa Geres (Estudo Longitudinal da Geração Escolar 2005), feita em parceria por seis universidades e realizada em 303 escolas públicas e particulares, de 2005 e 2008, mostra que, ao final do EF 1, os alunos de escolas públicas apresentam uma defasagem equivalente a dois anos de aprendizado em relação aos estudantes de instituições privadas.
 
Desafio

Desenvolver e consolidar a fluên­cia na língua e a compreensão leitora são os grandes desafios da etapa. Ao mesmo tempo, seguir estimulando a participação ativa na cultura letrada numa hora em que já é possível dar autonomia para esse pequeno leitor. Professores podem e devem indicar livros, mas precisam propiciar à criança momentos em que ela possa fuçar bibliotecas e livrarias para descobrir o que a encanta. "A natureza, os animais, mistérios e fantasias atraem garotos e garotas", diz Zoara Failla, gerente executiva de projetos do Instituto Pró-Livro.
 
Exemplos de práticas

Para trabalhar a fluência, a compreensão leitora e promover o interesse pela leitura, Gilda Carvalho, da Unesp, propõe o ensino da língua através de textos literários. "Ao mesmo tempo que aprendem a gramática, as crianças estão lidando com vários tipos de textos, gêneros e autores", diz. Além disso, a criança recém-alfabetizada precisa ser estimulada a ler em voz alta. "O professor pode priorizar desde textos que contribuam para a alfabetização, com sílabas bem marcadas e rimas, até outros mais complexos, com narrativas mais engendradas, além de livros ilustrados e gibis", recomenda Gilda. Rodas de leitura devem fazer parte da rotina em sala. "Encontros com autores e produções de texto também estimulam", completa. 

Ensino Fundamental II
 
Entre os best-sellers e os clássicos da literatura: os desafios da formação de leitores no ensino fundamental 2
 
Ajudar o jovem a encontrar um título que atenda aos seus anseios, mas que o desafie e contribua para sua formação, é papel do professor

Em um contexto de pouca valorização da leitura, como a escola pode contribuir para a formação de leitores no Brasil? Como superar seus desafios e formar leitores autônomos que gostem de ler? Ensinar algo tão grandioso é uma tarefa desafiadora, mas, talvez por isso mesmo, uma das mais fantásticas que existem. 

Durante a adolescência, ajudar o aluno a encontrar o meio termo entre a leitura de best-sellers e de clássicos da literatura parece ser um dos maiores objetivos dos professores.
Veja abaixo o cenário da formação de leitores no ensino fundamental 2, seus desafios e exemplos de práticas.
 
Cenário

Essa é uma fase transitória carregada de mudanças e transformações no processo de maturação cerebral. "Geralmente, é aqui que surgem as consequências de não se ter aprendido princípios da sintaxe, regência verbal e tabuada", diz a neurocientista Elvira Souza Lima. Ao mesmo tempo, os alunos não têm mais uma professora responsável por eles exercendo a função de guia. Quanto aos livros, o leitor juvenil sente-se atraído por best-sellers que abordam de sagas vampirescas a romances e aventuras. Seus amigos e a mídia também o empurram nessa direção. Como lidar se nem sempre os títulos comerciais possuem o mínimo de qualidade?
 
Desafio

Encontrar o meio-termo entre a leitura de best-sellers e a literatura de qualidade e, ao mesmo tempo, tratar o hábito de ler de forma espontânea. "O importante é desenvolver a prática e promover a avaliação sobre o que se está consumindo", diz Zoara Failla, do Instituto Pró-Livro. "Acho muito bom que os jovens leiam esse tipo de texto, mesmo que muitas vezes o mundo adulto os desqualifique. Depois, é só consolidar esse interesse e oferecer os clássicos, para os quais os mais novos ainda não têm fôlego", diz Gilda Carvalho, da Unesp.
 
Exemplos de prática

É preciso que os livros estejam à mão das crianças. Para isso, recomenda-se a visita sistemática semanal à biblioteca com o empréstimo de obras. Leitura compartilhada e saraus literários também aproximam autores e leitores. É fundamental que o professor possa ajudar o jovem a encontrar o melhor título para ele: que atenda aos seus anseios, mas que o desafie para um grau de dificuldade maior, contribuindo para sua formação. "Ao criar espaço para discutir os best-sellers, o professor pode aproveitar para fazer um contraponto com histórias da literatura nacional ou universal", defende Volnei Canônica, do Instituto C&A. A ideia é mostrar que há uma gama de enredos com os mesmos temas. 
 
Ensino Médio
 
Como estimular alunos do ensino médio a explorar o mundo literário
 
Mesmo com toda a carga de conteúdo do vestibular, professores acreditam que é possível conquistar leitores nessa etapa
 
Em um contexto de pouca valorização da leitura, como a escola pode contribuir para a formação de leitores no Brasil? Como superar seus desafios e formar leitores autônomos que gostem de ler? Ensinar algo tão grandioso é uma tarefa desafiadora, mas, talvez por isso mesmo, uma das mais fantásticas que existem. 
No ensino médio, é comum que os jovens leiam por obrigação por causa das obras exigidas nos vestibulares, o que pode ser um problema na formação do leitor. Mesmo assim, professores acreditam que é possível conquistar leitores durante essa etapa.
Veja abaixo o cenário da formação de leitores no ensino médio, seus desafios e exemplos de práticas.
 
Cenário

Será que ainda dá tempo de conquistar um leitor? Apesar das dificuldades, nunca é tarde para adentrar o mundo literário, garantem os especialistas. Os alunos estão sendo preparados para prestar o vestibular e, além de toda a carga de conteúdo, eles se veem obrigados a encarar os “chatos” clássicos da literatura, sem tempo para ler o que lhes interessa de fato. E, claro, é muito difícil para um leitor tardio conseguir apreciar um texto de Machado de Assis, por exemplo. Ler por obrigação também pode ser um problema no processo de formação de um leitor. “Mas, se existe uma boa prática de leitura, com metodologias interessantes, as provas não serão um problema”, acredita Rosane Cardoso, professora de letras do Centro Universitário Univates.
 
Desafio

Mesmo que o momento seja de pressão para os processos seletivos, a neurocientista Elvira Souza Lima diz que a boa literatura pode ser uma ótima aliada na organização das ideias, no raciocínio lógico e para uma melhor compreensão dos sistemas simbólicos de várias disciplinas, ajudando a relaxar e a equilibrar tensões. “As maneiras de trazer a literatura, exigida nas provas, podem ser diversas. Claro que isso demanda tempo do professor. Mas a maior exigência é que ele seja leitor e possa influenciar seus alunos”, diz Volnei Canônica, do Instituto C&A.
 
Exemplos de prática

Visitas sistemáticas semanais à biblioteca, com o empréstimo de livros, seguem sendo uma prática recomendada – assim como rodas de leitura e saraus, o que ajuda a tirar o peso do estudo individual nessa fase. Unir literatura à arte ensina e desestressa. Uma boa ideia é ler livros que já foram adaptados para o cinema, exibir o filme e realizar um debate sobre as linguagens. Criar rodas de discussão para abordar os best-sellers que seduzem esses jovens é uma ótima oportunidade para o professor introduzir novos autores e novas histórias sobre temas que despertam o interesse desses alunos, mas com um grau maior de dificuldade. No colégio FAAP, a disciplina círculo da leitura procura analisar várias obras literárias, em especial a clássica. “Lemos partes das obras, trechos importantes e depois discutimos. Essa leitura normalmente é em voz alta. Em algumas aulas eu permito que os alunos tragam iPad, mas prefiro focar mais os livros mesmo”, diz a professora Sandra Raposo Tenório. “Às vezes apresentamos algumas partes de filmes, para ilustrar a história lida. O objetivo é que eles compreendam e interpretem a história, apesar de a linguagem estar muito distante. E que desenvolvam o hábito da reflexão. Eu acredito que a leitura em conjunto – professora e alunos ou pais e filhos, por exemplo – aproxima as pessoas e garante o afeto”.
 

Fonte: Revista Educação
 

Como o gosto pela leitura pode ser estimulado na educação infantil

A leitura em voz alta e a contação de histórias são práticas que devem estar presentes na escola

Débora Rubin e Claudia Jordão

Em um contexto de pouca valorização da leitura, como a escola pode contribuir para a formação de leitores no Brasil? Como superar seus desafios e formar leitores autônomos que gostem de ler? Ensinar algo tão grandioso é uma tarefa desafiadora, mas, talvez por isso mesmo, uma das mais fantásticas que existem.
O estímulo à leitura pode começar desde cedo, ainda na educação infantil. Veja abaixo o cenário da formação de leitores na primeira infância, seus desafios e exemplos de práticas.

Cenário

A Academia Americana de Pediatria recomenda aos médicos que orientem os pais a lerem para os seus filhos. Desde o nascimento, a superestimulação tem se tornado uma constante em casa e invadido o espaço escolar. Livros no banho e e-books são elementos cuja proposta é desencadear o gosto pela leitura logo cedo. O equilíbrio entre inseri-los na cultura letrada e "forçar" funções para as quais ainda não estão preparados, defendem os especialistas, depende de bom senso.


Desafio

Como mediadores, pais e educadores têm a missão de apresentar os livros, as histórias e o mundo da imaginação a seus filhos e alunos. A falta de materiais de trabalho nas escolas é um problema a ser enfrentado. Pesquisa da pedagoga Cyntia Girotto revela que os livros do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) não contemplam crianças dos 0 até os 3 anos. O estudo "Literatura e Primeira Infância: dois municípios em cena e o PNBE na formação de crianças leitoras" foi realizado de 2011 a 2014 em Presidente Prudente e Marília, interior paulista. "Negar o acesso desse material aos pequenos é negar a eles a possibilidade de forjarem para si, desde a tenra infância, uma identidade leitora", diz Cyntia, professora na Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp-Marília.


Exemplos de práticas

O primeiro passo é o professor ter um critério para a escolha dos títulos. Afinal, nessa fase pré-alfabetização eles têm especificidades e mudam conforme a idade. "O livro do bebê é especial: tem de ser cartonado, ou emborrachado, e o texto imagético deve se agregar ao texto escrito, o que aguça as percepções, atenção, linguagem oral e memória", explica Cyntia Girotto. A partir dos 3 anos, obras que se utilizam do lúdico e da fantasia despertam a imaginação. A leitura em voz alta e a contação de histórias são práticas que devem estar presentes na escola. Para as crianças maiores, vale investir em rodas de leitura e na elaboração de ilustrações ou dramatizações a partir de um texto. "Quando partilhada, a leitura se torna saborosa, se transforma em uma experiência formadora", defende Gilda Carvalho, mestre em Literatura Brasileira e uma das autoras do Manual de reflexões sobre boas práticas de leitura (Editora Unesp).