segunda-feira, 30 de maio de 2016

Como se organizar para atender imprevistos


(Foto: Shutterstock/wavebreakmedia)


Tem sido muito comum a queixa de coordenadores sobre o acúmulo de tarefas e a falta de tempo para se dedicar à formação dos professores. Os relatos, que apareceram em comentários aqui do blog e em conversas que tive com colegas, é que, diariamente, estouram muitas situações que precisam ser solucionadas rapidamente e que não são, necessariamente, responsabilidade do coordenador. Entre elas, estão o atendimento a pais que chegam com problemas pontuais e esperam ser atendidos imediatamente, professores que solicitam ajuda para lidar com conflitos entre as crianças, a abertura ou fechamento do portão da instituição, a falta de funcionários ou docentes que precisa ser coberta, a necessidade de tomar providências quando falta um material na sala da aula e por aí vai…
Quando essas demandas surgem ocasionalmente, seja porque a secretaria está sem funcionário ou porque o diretor está em reunião fora da escola, certamente é o coordenador que deve dar conta delas. Afinal, os professores precisam se responsabilizar pelas crianças. Mas o que fazer quando essas situações se tornam rotineiras e não sobre tempo para cuidar de outras tarefas?
Compartilhar as atribuições de cada um que atua no ambiente escolar é fundamental. Será que o diretor, os funcionários e os professores da sua escola têm clareza do que você faz? Eu já ouvi de uma auxiliar de sala que ela achava que o papel do coordenador era ajudar o diretor a resolver os problemas que aparecem.
Para que confusões assim não aconteçam, é bacana elaborar e divulgar seu cronograma de atividades semanais. Quando eu trabalhava como coordenadora numa escola, procurava garantir, junto com a diretora, que eu tivesse momentos de planejamento das formações, de acompanhamento da prática em sala de aula e de elaboração dos atendimentos individuais. A diretora também fazia o mesmo. Assim, aquela que estava mais disponível, atendia as demandas que surgiam, enquanto a outra dava andamento às suas atividades.
Mesmo com todo esse planejamento compartilhado que eu comentei acima, é comum aparecer pais a todo momento na escola. Em relação a isso, a forma que eu acredito ser mais interessante para contornar a situação é investir na comunicação escola-família, deixando claro o que acontece na instituição, e na formação dos funcionários da secretaria. A equipe precisa saber responder  questões básicas que os familiares costumam ter e avaliar se precisarão encaminhar a situação para um gestor tomar uma providência.
Também é interessante ter protocolos claros e compartilhados com todos sobre como identificar o que está interferindo na rotina da escola e quais são os procedimentos mais adequados. Claro que dá certo trabalho pensar em tudo isso e numa boa forma de divulgar para a equipe, mas certamente evitará que professores e funcionários levem tudo para ser resolvido pelo gestor. Para ajudá-los, compartilho um registro que um grupo de professores elaborou depois de refletir sobre como lidar com conflitos em sala de aula, demanda que, eventualmente, pode cair na mão do coordenador pedagógico.
O interessante é todo ano revisitar esses protocolos, principalmente com os profissionais novatos na escola, tanto para validá-lo como para atualizá-lo. Afinal, sempre podemos aperfeiçoar nossas práticas.

Fonte: Revista Nova Escola

Como lidar com emergências de saúde na escola?



A cena é corriqueira: tudo parece tranquilo na aula quando, de repente, no meio da brincadeira, um aluno cai e se machuca. Também não é raro ver crianças sentindo dores de cabeça, de estômago ou sintomas de resfriado. Algumas já chegam à escola com algum problema e a mãe se encarrega de mandar um remédio na mochila.
Por mais simples que sejam, problemas que afetam a saúde e o bem-estar dos estudantes deixam professores e gestores apreensivos. A equipe sabe que há uma determinação do Ministério da Educação (MEC) que proíbe oferecer qualquer tipo de remédio sem receita médica, mas se sente impelida a fazer alguma coisa para amenizar os sintomas, dando aquele analgésico infalível ou mesmo um chazinho que é tiro e queda.
Diante desse dilema, nós, coordenadores pedagógicos, precisamos exercer nosso papel de orientadores da equipe e encontrar caminhos para lidar com essas situações clássicas na rotina escolar. Elas exigem informação prévia sobre como agir.
Algumas das açõesparaadotar, em parceria com a direção:
  • Na primeira reunião de pais do ano letivo, apresentamos um contrato especificando as regras sobre o uso de medicamentos e as ações adotadas em caso de emergência.
  • No caso dos remédios, os responsáveis devem evitar colocá-los na mochila e instruir o aluno a tomá-los sozinho, o que pode ser perigoso. O que fizemos foi deixar em aberto para que os responsáveis tenham liberdade de vir até a escola para medicar a criança ou levá-la para casa, se for necessário
  • Mantemos um kit de primeiros socorros para pequenos acidentes, com materiais básicos como gaze, soro fisiológico, esparadrapo, algodão, curativos e gelo.
  • Em situações mais graves e emergenciais, o combinado é que o estudante seja prontamente encaminhado ao posto de saúde próximo ou até mesmo a um hospital da região – sempre comunicando à família o quanto antes.
  • Ajuda muito manter um arquivo atualizado e bem organizado de fichas de saúde. Elas devem ser preenchidas e assinadas pelos responsáveis anualmente, e conter endereço, telefones para contato, alguns dados básicos sobre a saúde da criança etc. Essa ficha também deve incluir possíveis restrições à participação nas aulas de Educação Física.
  • Todas essas medidas são simples, mas precisam ser bem acertadas entre todas as partes envolvidas.
Fonte: Revista Nova Escola

O que não pode faltar na creche

Para que as turmas de 0 a 3 anos se desenvolvam plenamente, é preciso conhecer as características de cada faixa etária e garantir que algumas experiências essenciais façam parte do planejamento. Saiba como trabalhá-las e por que são tão importantes

Beatriz Santomauro (novaescola@fvc.org.br) e Luisa Andrade. Colaboraram Bianca Bibiano, Denise Pellegrini, de Curitiba, PR; Julia Browne, de Belo Horizonte, MG; Thaís Gurgel, de Sobral, CE; e Vilmar Oliveira, de São José dos Campos, SP.

1. Brincar
Por que trabalhar Embora a brincadeira seja uma atividade livre e espontânea, ela não é natural, mas uma criação da cultura. O aprendizado dela se dá por meio das interações e do convívio com os outros. Por isso, a importância de prever muito tempo e espaço para ela
O que propor  Uma das primeiras brincadeiras do bebê é imitar os adultos: ele observa e reproduz gestos e caretas no mesmo momento em que acontecem. Com cerca de 2 anos, continua repetindo o que vê e também os gestos que guarda na memória de situações anteriores, tentando encaixá-los no contexto que acha adequado. Tão importante quanto valorizar essas imitações é propor ações físicas que possibilitam sensações e desafios motores. 
Alguns brinquedos também fazem sucesso nessa fase. Os mais adequados são os de peças de montar, encaixar, jogar e empilhar, além dos que fazem barulho. É preciso ter cuidado com a segurança e só usar objetos maiores do que o tamanho da boca do bebê quando aberta. 
Para um trabalho eficiente, uma boa estrutura é essencial. Isso inclui ter material suficiente para que todos consigam compartilhar e um bom espaço de criação. Uma área ao ar livre, mesmo que com poucas árvores, vira uma grande floresta. Uma sala bem cuidada, rica em cores e com variedade de brinquedos e estímulos igualmente possibilita momentos criativos, prazerosos e produtivos.

2. Linguagem oral

Por que trabalhar  Quando o bebê se expressa com gritos ou gestos, ele tem uma intenção. Para que a linguagem oral se desenvolva, cabe ao professor reconhecer a intenção comunicativa dos gestos e balbucios dos bebês, respondendo a eles, e promover a interação no grupo.
O que propor  Desde muito cedo, cantigas de roda, parlendas e outras canções são meios riquíssimos de propiciar o contato e a brincadeira com as palavras e de estimular a atenção a sua sonoridade.
As rodas de conversa, feitas diariamente, são uma oportunidade de praticar a fala, comentar preferências próprias e trocar informações sobre a família. Nessa situação, há a interação com os colegas e aprende-se a escutar, discutir regras e argumentar. Quanto menor for a faixa etária do grupo, mais necessária será a interferência do educador como propositor e dinamizador dos diálogos.

3. Movimento 
Por que trabalhar  O movimento é a linguagem dos pequenos que ainda não falam e continua sendo a maneira de se expressar daqueles que já se comunicam com palavras. Quanto mais o professor incentivar o movimento, maior será o aprendizado de cada um sobre si mesmo e o desenvolvimento da capacidade de expressão. 
O que propor  O bebê precisa participar de atividades que ampliem o repertório corporal para que percorra um caminho de gradativo controle dos movimentos até conseguir se levantar e andar. Aos poucos, ele passa a ter consciência dos limites do corpo e da conseqüência de seus movimentos. São situações indicadas para o amadurecimento motor passar por obstáculos como túneis, correr e brincar no escorregador. 

Os espaços da creche devem ser desafiadores e, ao mesmo tempo, seguros. São ambientes propícios para as atividades desse tipo tanto o pátio como a sala. Ali, são colocados bancos ou caixas que sirvam de apoio para os que estão começando a andar e ficam distribuídos brinquedos de equilíbrio. Enquanto a turma se mexe para lá e para cá, não se perde um lance. Um educador atento sabe quando um suspiro revela cansaço ou uma careta demonstra algum desagrado. 


4. Arte
Por que trabalhar  A música e as artes visuais são dois meios de os pequenos entrarem em contato com o que ainda não conhecem. Nessa fase, as linguagens se misturam e um mesmo objeto, como um giz de cera, pode ser usado para desenhar ou batucar.
O que propor  Quanto mais variadas as experiências apresentadas, maior a garantia de qualidade no desenvolvimento do grupo. Escutar sons, como os produzidos por batidas em várias partes do próprio corpo e pela manipulação de objetos, ouvir canções de roda, parlendas, músicas instrumentais ou as consideradas "de adulto" faz a diferença nessa fase. Além de ouvir e repetir um repertório já conhecido, a turma deve ser orientada a improvisar e criar canções, brincar com a voz, imitar sons de animais e confeccionar instrumentos.
Da mesma maneira, o ideal são atividades de artes visuais diversificadas. Uma boa prática inclui desenhos - e não o preenchimento de modelos prontos -, pinturas ou esculturas usando diversos materiais e possibilitar o contato com novos recursos visuais para ampliar as referências artísticas. As produções da classe ficam à disposição para que sejam observadas e comentadas e para que cada um reconheça o que é de sua autoria. 

5. Identidade e autonomia
Por que trabalhar  O bebê nasce em uma situação de total dependência e, pouco a pouco, necessita se tornar autônomo. Autonomia e identidade se desenvolvem simultaneamente e, mesmo num ambiente coletivo, é preciso dar atenção individualizada às crianças.
O que propor  As melhores experiências são as pautadas pelo relacionamento com os outros e pela demonstração de preferências.
É essencial oferecer possibilidades - na hora da brincadeira ou da merenda, por exemplo - para que os pequenos sejam incentivados a se conhecer melhor e a optar. Ao servir os alimentos sem misturá-los, o educador permite a cada um identificar aquilo de que mais gosta. Oferecer a colher para que todos comam sozinhos também é primordial. Por meio da observação, uns aprendem com os outros. Mesmo que no começo façam sujeira e demorem para se alimentar, aos poucos adquirem a destreza do movimento. 
A organização do ambiente em cantos de atividades é outro meio de favorecer o exercício de escolha, já que cada um define onde brincar, com quem e por quanto tempo. Para ajudar na construção da identidade, cabe ao educador chamar cada um pelo nome e ressaltar a observação dos aspectos físicos individuais. 
 
Fonte: Revista Nova Escola